
Capoeira é tudo que a boca come(Mestre Pastinha, 1889-1981)
Capoeira é "mardade"(Mestre Bimba, 1900- 1974)
A malícia, considerada a filosofia e a essência do jogo, é um dos "fundamentos" básicos da capoeira. A malícia, num sentido amplo, é a maneira como o jogador "vê" e "joga" com a vida, o mundo e, especialmente, as pessoas. Num sentido mais específico, a malícia é o que permite um jogador "enganar" o outro, fingindo que vai fazer algo quando, na verdade, está preparando um outro tipo de ataque.
Cada mestre, cada jogador, e até cada iniciante, explica a malícia da sua maneira. E isto não é errado: não há como transformar a malícia num conceito fechado, numa "verdade" expressa em palavras; da mesma maneira que é impossível exprimir em palavras "o que é a vida", "o que é a arte", "o que é o amor", a "amizade" ou o "ódio".
Os mestres Bimba, Pastinha, Noronha, Waldemar, Caiçaras, Canjiquinha, Paulo dos Anjos, Atenilo, Eziquiel, Bom Cabrito - todos já se foram -, e muitos outros. Sempre que podia, conversava e, sobretudo, convivia e observava como se portavam em diferentes situações. Perguntava, também, depois de já ter estabelecido um mínimo de camaradagem: - Mas, afinal de contas, mestre, o que o sr. acha que é essa tal de malícia ? As respostas eram as mais variadas possíveis, algumas eram poéticas e misteriosas, outras engraçadas, ainda outras eram racionais. Com os anos, a observação e a convivência, as experiências pessoais, as respostas e definições dos Velhos Mestres e, principalmente e sobretudo, o Jogo na Roda com pessoas muito diferentes, em diferentes lugares; forjou, dentro do meu corpo, e daí para meu cérebro e para as páginas de papel onde eu escrevia, o que é a malícia - ao menos, como Ela se apresentou para mim.
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