segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

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BREVE HISTORICO DO GRUPO CAPOEIRA BRASIL

Em 14 de janeiro de 1989, na cidade de Niterói, no Rio de Janeiro, nascia o Grupo Capoeira Brasil. Criado pelos mestres: Boneco, Paulão e Paulinho Sabiá, ex-integrantes do Grupo Senzala, que contaram com a bênção dos grandes nomes da Capoeira, como os mestres: Suassuna, Itapoã, João Pequeno, Peixinho, Gato, Ezequiel, entre outros.

Desde sua fundação, o Grupo Capoeira Brasil vem mantendo seus princípios de educar e divulgar a Capoeira, sempre respeitando e preservando suas tradições e fundamentos. Por isso, vem crescendo de uma forma impressionante tanto em quantidade como em qualidade. A organização Capoeira Brasil já alcança quase a totalidade dos estados brasileiros e encontra-se em mais de 20 países espalhados pelos cinco continentes. Ao mesmo tempo, o Grupo Capoeira Brasil tem uma preocupação fundamental com o corpo de educadores, pois temos consciência do quanto é importante um bom educador na formação da criança e do adolescente. Contando hoje com nove Mestres, algumas dezenas de contramestres e centenas de professores e instrutores, o Grupo Capoeira Brasil é considerado um dos maiores da atualidade, desenvolvendo trabalhos em comunidades carentes, escolas, clubes, academias e Universidade.


HISTÓRIA DA CAPOEIRA

A capoeira surgiu entre os escravos como um grito de liberdade. Os negros da África, a maioria da região de Angola, foram trazidos para o Brasil para trabalhar nas lavouras de cana de açúcar como mão de obra escrava. Segundo Menezes (1976), a vida dos negros trazidos da África de maneira forçada, brutal, consistia em trabalhar de sol a sol para os senhores portugueses que exploravam as riquezas brasileiras desde o descobrimento. Chegando a nova terra, (os escravos) eram repartidos entre os senhores, marcados a ferro em brasa como gado e empilhados na sua nova moradia: as prisões infectadas das senzalas. Os colonizadores agrupavam os africanos de diferentes tribos, com hábitos, costumes e até línguas diferentes, eliminando, assim, o risco de rebeliões. Os negros chegavam ao Brasil, depois de passarem dias empilhados em navios negreiros, trazendo como única bagagem suas tradições culturais e religiosas. O negro trouxe consigo suas danças e lutas guerreiras que de muita valia veio a se tornar para os escravos fugitivos.

Na África, mais precisamente na região de Angola, os negros lutavam com cabeçadas e pontapés nas chamadas "luta das zebras", disputando as meninas das suas tribos com a finalidade de torná-las suas esposas. Na ausência de armas, os negros buscaram nas danças guerreiras sua forma de defesa. Da necessidade de preservação da vida, surgiu à capoeira. Tendo como mestra a mãe natureza, notando brigas dos animais as marradas, coices, saltos e botes, utilizando-se das manifestações culturais trazidas da África (como, por exemplo, brincadeiras, competições etc. que lá praticavam em momentos cerimoniais e ritualísticos), aproveitando-se dos vãos livres que aqui se abriam no interior das matas e capoeiras, os negros criam e praticam uma luta de auto defesa para enfrentar o inimigo.Com o passar dos tempos, os nossos colonizadores perceberam o poder fatal da capoeira, proibindo esta e rotulando-a de "arte negra", Santos (1998).

Em 1888 foi abolida a escravatura e com isso muitos escravos foram lançados nas cidades sem emprego e a capoeira foi um dos meios utilizados para a sobrevivência. Alguns ex-escravos passaram a ganhar a vida fazendo pequenas apresentações em praça pública, porém muitos deles utilizaram a capoeira para roubar e saquear. Os marginais brancos também aprenderam a nova luta com o convívio mais direto com os negros e introduziram na sua prática as armas brancas. Formaram-se verdadeiros bandos de marginais aterrorizando a população. Já em 1890 a capoeira foi colocada fora da lei pelo Código Penal da República, que dizia:

Art. 402. Fazer nas ruas e praças públicas exercícios de agilidade e destreza corporal, conhecidos pela denominação capoeiragem; andar em carreiras, com armas ou instrumentos capazes de produzir uma lesão corporal, promovendo tumulto ou desordens, ameaçando pessoa certa ou incerta, ou incutindo temor de algum mal: Pena: De prisão celular de dois meses a seis meses. (Barbieri, 1993, p.118).

Segundo Sodré (1983), as punições aplicadas eram reclusão na ilha Fernando de Noronha e castigos corporais, tais como chibatadas. Pessoas como o regente Feijó, Sampaio Ferraz e o major Vidigal foram os responsáveis para manter a ordem; tiveram pouco sucesso.

Segundo Areias (1983), os seus chefes foram encarcerados ou exterminados. Mas a capoeiragem continuou fazendo o seu trajeto.

A capoeira se espalhou pelo Brasil, porém foram nos estados da Bahia, Rio de Janeiro e Pernambuco onde se encontravam os maiores comentários entre o povo e a imprensa local. Apesar de reprimida a capoeira continuou a ser praticada e ensinada para as gerações seguintes. Em 1929 ocorreu a quebra da Bolsa de Nova Iorque e a conseqüente crise do capitalismo. O Brasil viveu um momento de ebulição das forças sociais.

Com a entrada de Getúlio Vargas no governo do país, medidas foram tomadas para angariar a simpatia popular, entre elas a liberação de uma série de manifestações populares. Para tal, Getúlio Vargas convidou Manoel dos Reis Machado, o mestre Bimba, para uma apresentação no Palácio do Governo. Temendo a popularização da arte - luta, Getúlio Vargas permitiu a abertura da primeira academia de capoeira, que teria um cunho folclórico. Após essa passagem, a capoeira perdeu suas características de luta marginal e vadiagem, visto que para freqüentar a academia de Mestre Bimba os indivíduos eram obrigados a ter carteira de trabalho assinada.

Grande parte do que se sabe hoje sobre a capoeira praticada pelos escravos foi transmitido pelas gerações de forma oral, visto que "... documentação referente a época da escravatura foi queimada por Rui Barbosa, Ministro da Fazenda no governo de Deodoro da Fonseca" (Sete, 1997). Enfim, a capoeira ganhou a popularidade estimada por Bimba, e até os dias de hoje vem reunindo adeptos pelo país.

- O Significado de Capoeira

Capoeiras eram áreas semidesmatadas onde os escravos treinavam seus golpes, e provavelmente veio daí o nome da luta. Seus golpes quase acrobáticos e com aspecto de dança muito contribuíram para enganar os senhores de engenho, que permitiam a prática, julgando-a como uma brincadeira dos escravos. Segundo Areias (1983), a dança, por sua vez, representada pela ginga, servia para disfarçar a luta dando-lhe um caráter lúdico e inofensivo. A capoeira serviu por muitos anos como instrumento de luta dos escravos.




CANTOS:

LADAINHA: São cantigas de saudação no início do jogo de Angola, podendo ser um aviso, uma reza, um lamento, um desabafo, um agrado ou mesmo um desafio.

QUADRAS: São versos que contam pequenos trechos da história da Capoeira em seus diversos aspectos. "As quadras podem ser cantadas em qualquer toque como a Banguela".

CORRIDOS: São versos as vezes palavras, que o solista canta e o coro responde da mesma forma. Os corridos são executados, sempre, com o toque "São Bento Grande da Regional".


TOQUES


ANGOLA - Toque lento, para um jogo com muita visão e malícia.

SÃO BENTO PEQUENO - Também chamado de angola invertida, toque para um jogo amistoso, muito técnico.

SÃO BENTO GRANDE DE ANGOLA - Jogo cadenciado um pouco mais acelerado dentro da Capoeira Angola.

SÃO BENTO GRANDE DE BIMBA - Jogo forte, rápido, mais voltado para parte marcial da capoeira que para
exibicionismo, viril sem perder a malícia.

IUNA - Jogo baixo, manhoso, sagaz, ardiloso, coreográfico, exibicionista; retorno ao estado lúdico. Só para
formados e mestres com movimentos de balões.

SANTA MARIA - Jogo com navalhas.

CAVALARIA - Antigamente servia para avisar aos capoeiristas, da presença da Cavalaria da Guarda Nacional.

Um comentário:

  1. Adorei seu blog, esta super claro a história de capoeira, para uma pessoa que não tinha conhecimento até então. Com bastante detalhes interessantes que eu não tinha nem idéia.
    Parabéns e um beijão

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